sábado, janeiro 21, 2012

Explorando outras ilhas da Tailandia

Assim que recebi o email do mecânico Yanmar dizendo que minha transmissão estava pronta, aluguei uma moto e corri para pegar a peça. Tinha mandado fazer um piso novo para o banheiro de Boreste, pois o original, feito em teca, estava completamente podre, então mandei fazer um em madeira sintética, tipo um plástico branco, como experiência, e acabou ficando muito bom. A transmissão ficou perfeita, e assim que voltei, instalei e testei, tudo funcionando como devia. Em retrospecto, o problema da transmissão original foi causado pela montagem errada do cabo pelo estaleiro, acumulado com a má revisão de entrega feita pelo representante da Yanmar em Joinvile, o que causou o gasto excessivo do cone original. Troquei o cone em Fiji, mas o representante Yanmar de Port Denarau não montou a transmissão corretamente, deixando uma folga maior do que dois milímetros na peça toda, e não fazendo o polimento entre o novo cone e as engrenagens. Isso causou o segundo problema. Agora parece que esse problema foi resolvido.
Aproveitei e re-ancorei o barco, agora usando meu próprio motor. No final, acabei re-ancorando o barco quatorze vezes, por conta das áreas rasas e de outros barcos que ancoraram muito próximos. No dia dezessete nos despedimos do pessoal do Too Much, Cat Mousses e Alexandre VI, e no dia dezoito pela manha partimos de Pucket depois de re-abastecer de diesel, indo para Ko Phi Phi, onde ancoramos dentro da baia, que, se fosse pelo Murphy, ia ser nossa ultima ancoragem, pois a baia inteira é de recifes, o que não consta nas cartas, e são difíceis de se ver. Acabamos sendo alertados pelo alarme do profundimetro que sempre deixo ligado a quatro metros de profundidade, o que nos deu tempo de reverter o hélice e parar o barco antes de tocar nos recifes. Essa ancoragem já não começou bem, e ficou pior durante a noite, primeiro, com dois pescadores que decidiram vir pescar a alguns metros no nosso barco. Eles ancoraram com duas ancoras, uma a frente e outra para trás, e logo o Matajusi estava em cima do cabo de ancora de popa deles. Decidi fazer uma manobra com a ancora da frente, soltando os setenta e cinco metros de corrente, e esticando com o motor para trás, ai joguei a ancora de reserva (Fortress) com quinze metros de corrente e sessenta de cabo e puxei a ancora da frente novamente, deixando quarenta de corrente na proa, e vinte e cinco entre corrente e cabo na ancora de popa. Com isso, alinhamos com a ondulação, e não saímos mais dessa posição, mesmo com o dilúvio de quatro horas que caiu durante a noite.
O pior ainda estava por vir, e só percebemos quando as enumeras casas noturnas da praia aumentaram seus volumes de áudio, tornando a baia inteira, um inferno auditivo! Para nós que já estávamos cansados do excesso de turismo da Tailândia, essa foi a gota d'água! Saímos pela manha, quando conseguimos acordar da noite mal dormida e seguimos para as ilhas de Rok Nai e Rok Nok, a umas vinte e cinco milhas ao sul de Ko Phi Phi, onde chegamos no final da tarde, com luz suficiente para uma boa ancoragem. Acabamos ancorando entre as duas ilhas, com doze metros de profundidade, usando quarenta metros de corrente e fomos preparar a janta. Após o jantar, eu sai para o cockpit onde ia tocar um pouco de flauta, e coincidentemente, fiquei observando um catamaram com umas oito pessoas jantando no cockpit. Exatamente nesse momento, escutei de lá um grito, algo dito em italiano, e vi o amarelo de uma labareda, dentro da cabine de bombordo. Por um motivo ou outro, ninguém conseguiu, ou tentou, apagar o fogo, e o barco queimou completamente, bem na nossa frente! Eu pedi para a Lilian ir filmando e tirando fotos, enquanto peguei o botinho e fui ajudar as pessoas que pularam na água. Acabei encontrando o capitão do barco, que dizia que os extintores não funcionavam! Em menos de uma hora, tudo se queimou, o resto do barco afundou, e o diesel ficou queimando na superfície da água. O capitão me disse que tinha três botijões de gás a bordo, então decidi tirar o Matajusi dali, levantando ancora e indo para mais longe. Depois de uma hora, estávamos ancorando novamente, completamente pasmos pelo que havíamos visto. Dessa vez, e para aquele grupo, o Murphy levou a melhor...
O dia seguinte, ficamos meio que de molho, com ressaca das duas noites anteriores, mas depois que a energia voltou, fomos explorar as ilhas e acabamos descobrindo que esse lugar é na verdade um belo paraíso, contrastando com os outros lugares que passamos na Tailândia. Em primeiro lugar, porque tem muito menos turistas. Em segundo, porque tem um restaurante na praia que serve comida tailandesa a quatro reais o prato. Além disso, é uma ancoragem calma, com águas claras e muita vida animal, tanto em baixo como em cima d'água. Encontramos lagartos enormes, lembrando os dragões de cômodo, esquilos vermelhos e pássaros nas praias, e muito peixe, conchas, lulas e lagostas (pequenas) em baixo d'água. O grande evento de hoje foi por uma concha aberta na mão da Lilian, e ver centenas de peixes vir comer na mão dela!
Decidimos ficar por aqui por mais uns dias, aproveitando esse paraíso, e já descobrimos outro paraíso ainda melhor para ir visitar, no nosso caminho de volta para a Malásia. Como amanha é o ano novo chinês vamos ficar pelas ilhas mais desertas aproveitando para curtir as coisas que gostamos de fazer, antes de retornar a Langkawi na Malásia. Estamos matando tempo antes de partir para Sri Lanka, para respeitar as épocas próprias para essas travessias.
----------
radio email processed by SailMail
for information see: http://www.sailmail.com



segunda-feira, janeiro 16, 2012

Fotos Tailandia postadas...

----------
radio email processed by SailMail
for information see: http://www.sailmail.com

sexta-feira, janeiro 13, 2012

20120112 Explorando Pucket

Passamos os últimos doze dias explorando a costa Oeste de Pucket. Ancoramos em quase todas as ancoragens, visitamos quase todas as cidades costeiras dessa região, então já temos uma boa visão de pelo menos essa área da Tailândia, podendo resumir assim: Povo muito simpático, comida muito saborosa e barata, lugares bonitos, mas com isso, muitos turistas, principalmente russos e escandinavos, e, infelizmente, muitas prostitutas a ponto de logo nos cansarmos dessa característica do local. Mas, fora isso, um lugar muito acomodante. As ancoragens protegidas dos ventos Nordeste e Leste são as melhores nessa época de Monsoon de Nordeste, mas ficam abertas ao mar aberto e recebem ondulação normal de mar aberto, o que provoca um pouco de balançar principalmente nos topos e baixas de maré.
Até ontem, seguíamos juntos com o Cat Mousses, mas hoje eles puseram o barco no seco para pintar o fundo, devendo ficar em seco entre um mês, então vamos continuar com nossa exploração da Tailândia com outros amigos, e já encontramos vários amigos que conhecemos no Pacifico e na Nova Zelandia. Do nosso lado está ancorado o Too Much, com a Marcia (brasileira) e o Jean (francês) , e até ontem estava o Canela, com o Gustavo e Augusto de Canela, RS, mas eles levantaram ancora partindo para Langkawi na Malasia. A ultima vez que havíamos estado com os Canela tinha sido em Fiji em 2010, então foi um prazer encontrá-los de novo, além de um alívio!
Explico. Quando ancoramos na baia de Chalong do lado Leste de Pucket ancorei bem, com vinte e cinco metros de corrente em quatro metros e meio de profundidade, e com o motor e transmissão quentes, aproveitei para tirar o óleo da transmissão, e retirar a transmissão inteira para checar o problema do cone derrapante que tem me perseguido. Mas com isso, fiquei sem a possibilidade de manobrar o barco em caso de algum problema com a ancora, e, por Murphy, foi exatamente o que aconteceu! Assim que retirei e lavei a transmissão e o sistema de engate, a Lilian me chamou a atenção de que o Matajusi estava em posição diferente dos outros barcos à nossa volta! Qual seria o problema? A ancora estava garrando? O barco estava travado no fundo? Sem saber a resposta, chamei o Canela pelo VHF 16 e eles responderam. Expliquei a situação e eles prontamente vieram ajudar. Depois de tentarmos arrastar o barco com o botinho deles, que tem motor de quinze HP, chegamos à conclusão de que estava tudo bem, e assim ficou, até hoje à tarde, quando um pouco antes de uma chuva e vento forte passarem, veio um dos meus vizinhos de ancoragem perguntar se meu barco não estava garrando. Eu disse que estava pensando a mesma coisa e se ele não podia me ajudar a mudar o barco de lugar, pois eu estava sem motorização. Ele me ajudou, mas sem olhar nos instrumentos, acabei ancorando próximo a uma área mais rasa. Depois, com calma, fui estudar a situação, e percebi que pelo menos na carta, eu ficaria a vinte metros da área rasa, mesmo se o vento mudasse.
Mas, com Murphy ainda por perto, durante a tarde, chegou um vento e chuva fortes, e o barco ficou travado no lugar que ancorei a tarde. Também, usei quarenta e cinco metros de corrente com cinco metros de fundo! Mas, durante o temporal, o Too Much acabou garrando. Enquanto eu estava no cockpit checando se tudo estava bem com o Matajusi, ouvi pelo radio uma gritaria de barco correndo solto pela ancoragem, e não é que era o barco dos nossos amigos Jean e Marcia?! Eu sabia que o Jean estava em terra, então pulei no botinho para ir ver o que eu podia fazer. Nisso vi a Marcia a bordo e fiquei mais sossegado, pois pelo menos ela conhecia o barco. Chegando a bordo, ajudei a Marcia a re-ancorar o barco, que, com a chuva forte e sem visibilidade, teve que ser feito duas vezes, pois na primeira acabamos ancorando no meio do canal de entrada do porto de Al Chalong, o que deixou o barco exposto aos muitos barcos retornando dos passeios turísticos.
Com o Too Much bem ancorado, retornei ao Matajusi para continuar a escrever esse relato, mas, Murphy ainda insistia em mostrar sua lei! Enquanto eu escrevia, a Lilian mexia com seu computador. Aí sentimos um baque no barco. Nada forte, mas algo diferente dos barulhos e movimentos a que estamos tão acostumados. Liguei instrumentos para checar nossa profundidade, e confirmei que tínhamos apenas dez centímetros de água abaixo da quilha. O mar estava calmo, mas mesmo assim dava umas encostadas no fundo. Enquanto as raspadas eram na quilha, sem problemas, mas, em uma das raspadas, percebi que o leme se mexeu! Ai gelei! Não existe outro leme desse barco, e seria um tremendo trabalho refazer um leme para ele. Tinha que tirar o barco dali! Peguei o botinho e corri para o Too Much, que me devia um favor pela ajuda nas re-ancoragens da tarde, então expliquei o problema o Jean, e ele veio de botinho também para o Matajusi. Com os dois botes juntos, empurramos o Matajusi de lado, o que inclinava um pouco o barco e permitia que ele deslizasse pelo fundo. Deixei o leme tudo virado, para não bater em nada de lado, e sim deslizasse pelo fundo também, mas ele não chegou a encostar no fundo. Viramos o barco ao contrário, com os dois botes, cada um amarrado de um lado do Matajusi, rebocamos o Matajusi para fora dessa área mais rasa. Quando a corrente esticou, lancei outra ancora pela popa (trás) com sessenta metros de cabo, para segurar o barco naquela posição, pois não podíamos recolher a ancora da frente, que estava em área sem profundidade para a proa (frente) chegar. Deixamos o barco assim toda a noite, com a proa de cara para o vento, mas evitando que o barco virasse e corresse com a corrente da maré. O barco ficou bem até de manhã, na outra maré baixa, e de novo, ficou com menos de trinta centímetros do fundo.
Hoje pela manhã, soltei mais vinte metros de corrente, indo para sessenta metros, e recolhi 20 metros do cabo da ancora de trás, para levar o barco mais para trás e mais distante da área rasa, e continuar a manter o barco alinhado com o vento predominante de Nordeste/Leste. Vamos aguardar a maré alta para tirar o barco daqui e re-ancorar mais no fundo. Essa foi a única vez em toda a viagem que passamos por uma situação como essa. Revisando, como já havia ancorado aqui antes, não olhei minuciosamente a carta e acabei muito próximo dessa zona rasa, que acumulada com a maré mais baixa do ano, acabou contribuindo para mais uma quase vitória do Murphy!
Mas, a vida a bordo não é só feita de sustos e problemas, tendo outras atividades que preenchem o nosso tempo e enriquecem a nossa aventura, como alguns mergulhos na ilha em frente à praia de Kata, tendo a oportunidade de ver a maior lula que já vi, maior do que um polvo grande, e de uma cor azul metálica (sépia?). Passeamos de bicicleta por várias das cidades da costa Oeste de Pucket, visitamos MUITOS shopping-centers, a atividade mais freqüente desse ano, alugamos uma moto e demos a volta em Pucket, além de termos ido visitar o grande Buda no alto da montanha no meio da ilha, onde fui abençoado por um monge budista que me pôs um bracelete no pulso e me benzeu com água santa. Andamos de elefante pelas montanhas, comigo como Mahud (homem guia do elefante) por grande parte do trajeto, o que gerou algumas reclamações da Pink, a elefanta que eu montava, espirrando saliva nos meus pés, que claramente não eram iguais aos do seu Mahud, que enquanto caminhava a pé tirando fotos das situações criadas pela minha inabilidade em tocar o elefante corretamente. Comemos em muitos restaurantes locais, experimentando os diferentes sabores da culinária Tailandesa, lavamos roupa, caminhamos bastante, comprando artesanatos locais para juntar com a nossa coleção de artesanatos de quase todos os lugares por onde passamos, enfim, uma vida sadia, rica, e cheia de emoções...
----------
radio email processed by SailMail
for information see: http://www.sailmail.com

terça-feira, janeiro 03, 2012

Pinang a Phuket

Acabamos ficando uns dias a mais em Pinang por conta das duas bicicletas (Dahon Eco 7) que compramos, daquelas de alumínio, dobráveis, especiais para barcos, pois usam pouco espaço depois de dobradas, aproveitando para ir conhecer muito mais da cidade de Georgetown, e da ilha de Pinang. Fizemos uma ceia de Natal em uma discoteca pegado à marina, a QE2, eu escolhendo carneiro, e a Lilian experimentando o peru. Andamos muito de bicicleta, todos os dias, parando em shopping centers, dobrando as bicicletas, e entrando com elas shopping adentro, uma atração para os residentes, que nunca viram alguém andando pelo shopping com bicicletas dobráveis. A cidade de Georgetown fica na ilha de Pinang, e tem algumas características interessantes, uma delas sendo a área de Little India, uns quarteirões inteiros onde só se tem coisas indianas, tipo roupas, artefatos, comidas, musica, gente, tudo indiano.
Tem também uma área similar chinesa, onde tudo é chinês. O trafego é intenso, e perigoso para os pedestres e bicicletas.
No dia vinte e cinco, aproveitando a maré e o vento a favor, partimos para Langkawi, uma ilha dutty-free, a última da costa da Malásia, distante sessenta milhas de Pinang. Saímos depois do meio-dia, ajudando com o motor até o meio da tarde, quando entrou um vento entre vinte e vinte e cinco nós, que nos levou rapidinho para a área de Langkawi.
Chegamos às vinte e uma horas e trinta minutos no Sudoeste de Langkawi, e fomos entrando baia adentro, procurando uma área coberta para se esconder do vento Noroeste que continuava acima dos vinte nós. Como a carta e o radar não batiam, corrigi a carta pelo radar (chart-offset - Velejar Dezembro/2011), mas achei estranho que a carta continuasse tão fora de lugar, tanto, que nem com o offset eu conseguia ajeitar a carta. Fui muito devagar, entre radar, carta e olhos nus, procurando um lugar para ancorar, pegado a uma montanha relativamente alta, e ancorei em cinco metros, com cinquenta metros de corrente para garantir uma ancoragem segura durante a noite. Pelo radar conferi uma distancia de no mínimo trezentos metros entre o barco e qualquer outro obstáculo identificado pelo radar, liguei o pequeno GPS com alarme de ancora garrando (desgarrando) a mais de cento e vinte pés, e fomos dormir. Acabamos dormindo mal por conta das rajadas que sacudiam muito o barco, fazendo a corrente bater forte na proa (frente), o que causa um barulho enorme dentro da cabine de proa, onde dormimos.
Pela manha, levantamos ancora e fomos velejando a contra-vento, que continuava entre vinte e vinte e cinco nós, somente com a staysail aberta, até o Royal Yate Clube de Langkawi, onde atracamos em um dos piers disponíveis.
Assim que o barco estava bem atracado, fomos fazer a documentação de entrada em Langkawi e já aproveitamos e fizemos a de saída da Malásia, com destino à Tailândia. Compramos bebidas, que por conta do dutty-free são vinte e cinco por cento do preço normal em outros lugares, e voltamos para pegar as bicicletas e ir pedalar para conhecer a ilha. Pedalamos até a noite, parando em algumas áreas que também eram dutty-free, somente para ver que mesmo com desconto, havíamos pago bem mais caro na área da balsa onde fomos primeiro, do que nas áreas mais para dentro da ilha. Eu tenho a tendência de comprar a primeira que acho, mas sempre compro. Já a Lilian, procura muito, e às vezes fica sem comprar, pois não acha a mesma coisa nos próximos lugares nos quais foi procurar.
A ilha de Langkawi tem ótimas ancoragens, e está repleta de veleiros, que procuram essa área por conta do preço barato de tudo que se precisa. O povo vem das origens mais diferentes, e a maioria são turistas.
Acabamos ficando somente três dias em Langkawi, um lugar que merecia mais tempo de exploração, mas, queríamos passar o ano-novo com nossos amigos do Cat-Mousses que já estavam na Tailândia, então, no dia vinte e oito, partimos para Phuket na Tailândia. Velejamos a noite toda driblando os muitos barcos pesqueiros da região, e pela manha estávamos chegando em Ko Phi Phi, umas ilhas onde o Leonardo de Caprio fêz o filme "A Praia", mas acabamos parando dentro de Ko Phraya Nak, uma área com montanhas a pino, relativamente altas, mas com um passe pelo Oeste que da entrada para dentro da ilha. Lugar lindo, mas muito procurado pelos barcos que levam turistas a conhecer lugares como esse, pois foi o tempo de jogar ancoras e dar uma mergulhada, que teve que ser interrompida bem rapidamente por conta das minúsculas água-vivas que infestavam o lugar. Com algumas queimaduras que tiveram que ser tratadas com vinagre, fui tentar uma soneca, interrompida por uma horda de barcos chegando e fazendo a baia inteira ondular, sacudindo o barco em todos os sentidos.
Levantamos ancora e partimos para Chalong Bay em Phuket, um dos portos de entrada da Tailândia e onde iríamos encontrar nossos amigos do Cat-Mousses. Chegamos em quatro horas, ajudados pelo motor e velejando somente com a genoa, ancorando em cinco metros com trinta metros de corrente, e fomos rapidinho para o prédio onde operam simultaneamente a emigração, capitania dos portos e aduana, mas eles haviam acabado de fechar (quinze horas). Voltamos às nove horas do dia seguinte, já dia trinta, e fizemos a documentação de entrada na Tailândia, com uma autorização de ficar trinta dias. Talvez tenhamos que voltar para a Malásia antes de partir para Chagos, pois só podemos ir para Chagos em Março, então temos Janeiro e Fevereiro para ficar por aqui. Não me incomoda voltar para Langkawi, mesmo porque, talvez eu precise comprar uma transmissão nova para o motor Yanmar, pois o problema dos cones derrapantes esta cada vez pior.
No final do dia encontramos com o Cat Mousses e fomos juntos para terra, para fazer provisionamento dos barcos. Combinamos a comemoração para a passagem do ano, eu fazendo molho de macarrão com dois pacotes de rabada que comprei no supermercado local, a Lilian fazendo uma maionese de batatas, cenouras, maça e passas, a Dani do Cat-Mousses fazendo três pacotes de espaguete, e a Magali do catamaran Pirata, fazendo aperitivos para antes da ceia. Fomos, os três barcos, para a praia de Patong, para ver as comemorações por lá, que começaram as dezoito da tarde com balões de ar quente enchendo o céu, mais fogos de artifícios dos mais variados, e continuaram até as três da manha! Tudo correu muito bem e tivemos uma ceia maravilhosa, com ótima comida e bebidas, ótimos amigos, e apreciando um espetáculo ao mesmo tempo que diferente dos habituais, maravilhoso por conta dos balões e fogos, que não paravam e isso, acompanhados por muitos outros barcos também ancorados em Patong . Toda essa costa de Phuket, foram as áreas mais atingidas pelo Tsunami de 2004, e muita gente morreu por aqui. Não consegui parar de pensar sobre isso... Por conta disso, ancoramos bem fora, com doze metros de profundidade e cinqüenta de corrente.
Muito diferente o povo da Tailândia do povo da Malásia, mas muito simpáticos e prestativos, quando se consegue falar. O inglês é mais escasso por aqui.

sábado, dezembro 31, 2011

Feliz Ano Novo

Aos filhos, parentes e amigos, desejamos um Feliz Ano Novo.
Estamos ancorados na praia de Patong, na Tailandia, junto com outros muitos barcos.
Impressionante a comemoração por aqui, que começou as seis da tarde, com balões de ar quente enchendo o ceu, e fogos de artificio, e agora, mais de tres da manha, e os balões e fogos continuam!
Abraço a todos,
Silvio e Lilian, Matajusi
----------
radio email processed by SailMail
for information see: http://www.sailmail.com

terça-feira, dezembro 20, 2011

Johor Bahru a Pinang

Como planejado, saímos às duas da tarde da Danga Bay Marina em Johor Bahru, onde o Matajusi ficou durante onze meses enquanto fomos resolver pendências no Brasil, e iniciamos nossa navegação na direção da Tailândia, aproveitando a maré alta, que além de nos dar mais profundidade, ainda nos empurrava na direção certa. Em quatro horas alcançamos a área de ancoradouro de navios, entre Noroeste Singapura , Sudoeste Malásia e a entrada Sul do Estreito de Malaca, jogando ancora em profundidade de sete metros, com trinta metros de corrente para garantir uma ancoragem segura. Preparamos o barco para a noite e fomos dormir.

Em retrospecção, além de todo o trabalho de manutenção normal de um barco, tivemos poucos problemas com o barco parado. Trocamos o regulador de voltagem das placas solares e encontramos um fio solto embaixo do mastro, o que impossibilitava as luzes de navegação e ancoragem de ligarem. Além disso, descobrimos algum vazamento de água de alguma parte entre os tanques e mangueiras de água doce, antes da bomba de pressurização, que vai nos dar uma boa dor de cabeça para resolver, pois, olhando onde conseguimos olhar, já percebemos uma vazamento do tanque de água doce de Boreste (direito), de acesso completamente impossivel sem desmontar metade dos móveis da sala, além de ter que cortar algum pedaço de fibra ao redor da área onde foi instalada a saída de água doce desse tanque, pois de lá, com certeza , tem água saindo por onde não devia, mas, como já disse antes, agora não adianta desesperar, vamos consertando e arrumando tudo que vai dando problema e tocando a vidinha normal de manutenção a bordo de um veleiro fazendo uma viagem como essa. No final, a um custo mais alto e com muito trabalho, tudo no barco vai estar melhor do que quando começamos.

Depois de uma pequena singradura (distancia navegada) de dezesseis milhas no primeiro dia de navegação, fizemos um pouco mais de cinqüenta milhas durante o segundo dia, ancorando no final da tarde antes do escurecer, na frente de uma pequena aldeia de pescadores na costa Oeste da Malásia. Ainda estamos nos familiarizando com as correntes promovidas pelas marés, assim podemos ter uma performance melhor durante as horas navegadas. Não que isso seja uma corrida, mas, faz uma diferença de quase quatro nós na velocidade do barco, o que afeta tremendamente a singradura conseguida. Não me lembro de ter estudado para que lado corre a maré, mas a percepção, pelos menos nessa área, é que a maré vazante promove corrente para o norte, o que conseqüentemente, maré enchente promove corrente para o sul. Para lembrar, olhando o gráfico na tabua da maré disponível no Plotter, vejo a curva ascendente da maré enchente e curva descendente da maré vazante, ou seja, sobe uma subida, e portanto mais devagar na enchente e desce ladeira abaixo da maré vazante. Aí me ponho a pensar na teoria aprendida e lembro que a maré é promovida pela força de gravidade da Lua, mas a Lua passa de Leste para Oeste, e deve passar duas vezes por dia, pois tem duas marés por dia... Então a maré deve encher pelo Leste e esvaziar para o Oeste... mas, quando tem terra pelo caminho, a posição da terra deve promover mudança na direção da corrente das marés... Hum, as coisas que temos tempo de pensar quando estamos vivendo a bordo, sem televisão, sem noticias ruins...

Depois de outra noite bem dormida, na tranqüilidade da ancoragem escolhida, perturbada somente pela troca na posição do barco promovida pelas mudanças da maré, levantamos ancora, seguindo nossa navegação rumo à Tailândia, continuando a nos familiarizar com as coisas do barco e a vida a bordo novamente. Puxa! Quanto esquecemos durante a temporada de vida em terra! Acho que na cabeça não cabe tudo que vamos tendo que lembrar, então, por prioridades, vamos conseguindo guardar somente o que precisamos, mas o importante agora é lembrar de como se veleja com segurança, quando se riza (diminui velas), que cabos usar, em que sequência, como usamos os rádios, o Sailmail, os equipamentos, como desenhamos e acompanhamos as rotas, isso enquanto o tempo vai passando, a distancia vai sendo percorrida, e sem incidentes, no final do dia, vamos procurando mais uma ancoragem para antes do anoitecer.

Mais umas setenta milhas singradas e ancoramos na frente de uma pequena cidade, escondida atrás de um cabo mais acentuado da costa Oeste da Malásia, para tentar ficar fora da influencia da forte corrente promovida pelas marés. Ainda não sentimos segurança em passar a noite navegando, pois são muitas as coisas a serem ainda lembradas, testadas, firmadas na pratica do dia a dia, então vamos navegando somente de dia, e por consequência, temos uma noite bem dormida ancorados. Estamos subindo a costa da Malásia durante os monsuns de Nordeste o que nos pôe com vento na cara a maior parte do tempo. Vamos ajudando com o motor, mas isso vai consumindo nosso diesel. Em geral, temos autonomia de mil milhas, mas isso, usando o motor em baixa rotação. Subir contra o vento e contra a corrente das marés enchentes, força o uso de rotações mais altas do motor e consequentemente, consumo maior de combustível. A um real o litro, isso não é uma grande preocupação por aqui, mas mesmo assim, promove manutenções mais freqüentes no motor, para a troca de óleo e filtros. Não existe ganho sem esforço! Nesse caso, incluindo o esforço de se conseguir provisionar de diesel novamente, e custo do diesel no novo local! E assim passamos nosso terceiro dia a bordo. Com o conhecimento, prática e coragem aumentando dia a dia, nos sentimos mais seguros de tentar a primeira noite navegando, assim estimando nossa próxima ancoragem para depois de umas cem milhas navegadas, observando os conselhos no livro do Jimmy Cornell sugerindo uma parada no Porto de Klang, mas, na pratica não aconteceu assim, pois chovia, ventava e trovejava intensamente, além da visibilidade estar perto do zero quando chegamos próximos ao porto, que acumulado com a presença de muitos navios ancorados e outros navegando, impediram a entrada pelo canal sugerido para alcançar a marina.

Com isso, enfrentamos alguns problemas que não estavam planejados, o primeiro, quando fui baixar a vela mestra enquanto estávamos passando pelo meio dos navios ancorados e ouvi pelo radio um navio chamando outro e avisando se ele não havia visto o veleiro Matajusi à sua frente! Com a pouca visibilidade pela chuva torrencial, consegui ver um navio chegando rápido por Bombordo (esquerda) já a menos de duzentos metros da gente! Corri para o cockpit para desligar o piloto e conseguir desviar do navio chegando rápido em rota de colisão com a gente. Depois de ter feito isso, chamei pelo radio ao navio que havia percebido pelo AIS dele a possibilidade de colisão entre o Dong Jiang e o Matajusi, pois ambos estavam visíveis no AIS, e agradeci ao aviso. Em seguida, e depois do Dong Jiang ter passado a poucos metros da minha proa (frente), uma chamada dele perguntando quais eram as minhas intenções?! Ora! Eu estava em rota, ele ancorado, eu estava subindo à costa, enquanto ele estava cruzando o caminho, e ambos estávamos no AIS, ou seja, eu era pequeno e ele muito grande, portanto, ele optou pela lei do mais forte! Mas, ficou com cara de mal na vista de todos os navios que estavam ancorados na área, pois todos devem ter ido confirmar em seus equipamentos a quase colisão entre esse enorme navio, e esse veleiro com o direito de passagem, então, não restou a ele outra alternativa a não ser tentar melhorar sua posição pelo radio, ao me perguntar, depois dos fatos terem acontecido, quais eram minhas intenções! Na hora, minha vontade era responder pelo radio, com todos escutando, que minha intenção era chegar com vida à Tailândia! Mas, educadamente respondi que estava a caminho de Langkawi e me desviando do trafico local. Ele agradeceu minha resposta e assim continuamos nossa subida, mas, agora com outro problema! Não havia detalhado a rota seguinte ao Porto de Klang, e, Lei de Murphy a parte, como disse o Marçal Ceccon do Rapunzel, se você não fizer o que tem que ser feito, antes, vai pagar o preço depois... e esse preço veio composto pela dificuldade de navegação a noite, próximo a costa, em águas com muitos baixios e outras dificuldades como navios afundados e outras embarcações com seus próprios destinos e objetivos, isso incluindo um rebocador puxando uma balsa enorme, só que, cruzando a nossa rota! Isso enquanto eu ia desenhando uma rota! Quase entramos nos cabos entre o rebocador e seu reboque! No desvio, passamos muito próximos a outra embarcação, fazendo sei lá o que, mas que reclamaram que estávamos muito próximos! O que fazer? Com tantos navios, pescadores, e outras embarcações muito próximos uns dos outros, e enquanto eu tentava desviar dos baixios, e tudo isso a noite, com a corrente contra ao máximo e provocando movimentações estranhas do barco, que pulava de um lado para outro... enfim, acho que deu para desenhar a foto! Sim, estamos relembrando a pratica de navegar...

O bom de tudo isso, foi uma singradura de mais de cento e cinqüenta milhas, e a oportunidade de parar em uma ilha no meio de varias ilhas ao largo de Lumut, que eu não teria tentado e não teria conhecido não fosse o incidente na tentativa de ancoragem em Klang, e o que me rendeu o primeiro mergulho para caça feito na Malásia, até então, uma área que eu desconhecia e considerava completamente morta de vida aquática, pelo menos era o que a aparência sugeria. Escolhi uma enseadinha na ilha de Rambia, e para lá nos dirigimos. Achei a área escolhida, lancei vinte metros de corrente com seis metros de fundo, e fui explorar a área.

Na pequena praia de areia branca, parecendo virgem, percebi dois mergulhadores de Skuba que estavam chegando de volta à praia. Resolvi descer o bote, e aproveitar e testar o motorzinho, que, por Murphy, não funcionou. Assim fui a remo, levando comigo roupa, mascara e pé de pato de mergulho para uma possível exploração sub-aquatica, depois de conversar com os mergulhadores, que eram na verdade um instrutor e um aluno, fazendo seu curso de salvamento, mas deu para ter uma idéia do local. Soube que a ilha era desabitada, que nunca haviam visto um tubarão, que em águas turvas, não é minha companhia favorita embaixo da água, que haviam conchas, e podia-se ver alguns peixes, mas sempre pequenos. Explorando um pouco mais a praia, descobri um monte de lixo atrás da linha das primeiras arvores... os usuários da praia, limpavam a área de visão, mas jogavam atrás das arvores, que estavam abarrotadas de lixo! Sugeri que uma idéia seria ensinar aos freqüentadores da praia a queimarem esse lixo, e ele espantado perguntou, mas isso não iria poluir o ar?!

Fui fazer o primeiro mergulho exploratório que me renderam umas ostras gostosas mas com uma concha duríssima, e umas conchas iguais as que eu já tinha encontrado no Pacífico, grandes, com a boca mais parecendo aqueles cortes de dentes em abobora de dias das bruxas, em zigue-zague, mas muito gostosas, principalmente o músculo, como as vieiras. Enquanto trabalhava em abrir as conchas, percebi alguns peixes maiores curiosos com a minha presença, e decidi ir buscar a arma para tentar uma comidinha diferente a bordo. Meu segundo mergulho rendeu uma garopinha esverdeada, ou era um badejo, mas um peixe daquela família conhecida, em geral com sabor e textura de bom gosto, e mais um budião verde, mas com textura diferente da dos que temos no Brasil, mais parecendo a textura de um robalo. Peixes limpos e preparados para experimentarmos depois, quando enjoados das comidas abastecidas no barco enquanto nossa estada em terra.
Tudo muito lindo, mas há dois dias quase sem dormir e cansados, preparamos o barco para partir logo depois de acordar, estimando umas oito horas de sono, o que nos poria a navegar lá pelas duas da manha, mas, cansado, não percebi o erro na escolha da ancoragem de frente para o mar aberto , que, com o vento da noite, virou um problema perigosíssimo, pois as ondas cresceram e empurravam o barco para as pedras. O barco estava bem ancorado, mas com corais no fundo, e o barco mudando de lugar, prendeu a corrente em baixo de alguns corais. Acordei com o corcovear do barco, e percebi o tamanho do problema! Eram oito da noite, depois de somente três horas de sono, quando fomos estudar a situação para definir as possíveis soluções, que no melhor caso seria levantar ancora e partir, sacudidos, mas são e salvos, mas nos piores casos, podiam incluir perder ou cortar a ancora, bater com o leme em alguma pedra no fundo, entre outros pesadelos piores! Preparados para o pior, mas tentando o nosso melhor, conseguimos desancorar o barco depois de algumas tentativas, com a Lilian tocando no leme e motor e eu dando instruções da frente, ora fora, ora dentro d'água, não antes de passarmos pela possibilidade de termos de cortar a corrente, pois havia prendido em algum coral no fundo! Mexe daqui, tenta dali, e com a sorte que nos acompanha pela qual já somos muito conhecidos, tiramos o barco daquela situação sem maiores problemas.

De novo, fazendo rota pelo caminho, algo que eu já tinha tirado dos meus maus hábitos, mas, mar aberto pela frente, todos eletrônicos ligados, ajudando a considerar as situações, e fomos a caminho de Pinang, onde chegamos no final da tarde do dia seguinte ao problema da má escolha de ancoragem, atracando na marina da cidade de Georgetown. Vamos aproveitar a cidade, conhecer algumas iguarias e lugares locais, depois de cuidar do barco, estimando partir para Langkawi em dois a três dias.
----------
radio email processed by SailMail
for information see: http://www.sailmail.com

domingo, dezembro 11, 2011

Preparando para navegar novamente. Dezembro 2011.

Incrível como a vida muda entre viver na cidade, trabalhando,
cuidando de problemas dos mais diversos, enfrentando transito, ouvindo
as péssimas noticias que são parte do nosso dia a dia, e a vida a
bordo, também com problemas, também com muito trabalho, mas sem essa
carga de notícias ruins que faz parte da nossa vida na cidade. A
nossa atitude muda, encaramos todos os problemas e cada problema, um a
um, e vamos resolvendo cada um deles e já começamos a sentir os
benefícios dessa mudança de vida, com menos dores, menos preocupações,
e mais energia positiva.
E assim tem sido, começamos por limpar o barco todo, por cima, por
baixo e por dentro. A aparência boa do barco melhora nossa disposição,
e o conforto a bordo. A vidinha vai voltando ao que era antes de
deixarmos o barco, calma, boa, sadia, feliz...
Um a um, fui acordando cada sistema do barco, baterias, carga solar,
carga externa, transformador, carregador de baterias, conversor AC/DC,
motor, dessalinizador, instrumentos de navegação, rádios, pactor
modem, luzes, bombas, tubulações, tanques de água, água quente, água
fria, válvulas de entrada e saída de água e esgoto, banheiros,
torneiras, chuveiros, gás, fogão, geladeira, entre outros, e fui
fazendo uma lista de coisas a consertar ou melhorar.
Minha lista incluiu a troca do sistema operacional do E80 (plotter),
pois a antigo abendava quando tinham muitos navios identificados pelo
AIS. Essa troca é complicadinha, pois requer um tipo de cartão
CompactFlash, mas só funciona com os originais antigos de 32MB, que
não existem mais. Por sorte, tinha uma câmera Sony antiga que usava um
cartão desses. Com o cartão correto, ainda em SP, fiz o download do
novo sistema operacional que corrige o problema do excesso de navios
no AIS, instalei e funcionou perfeitamente! Menos um!
Assim que chegamos ao barco, ouvi o indicador de carga das baterias
apitando. Imediatamente fui checar o regulador de carga das placas
solares, e percebi que não estava desviando a corrente quando as
baterias já estavam carregadas. Retirei o fusível e não sei como as
baterias sobreviveram esse ano todo com a placa carregando acima da
especificação, mas tenho que tirar o chapéu para a decisão de usar
baterias de gel, que aceitam mais carga do que as outras.
Deu trabalho encontrar outro regulador de carga, mas a vantagem é que
os novos são muito mais inteligentes dos que o que eu estava usando.
Ai escolhi um que aceitava mais de 400W e 30A, pois minhas placas tem
340W e podem gerar até uns 25A, então fica com sobra para algum
excesso. Instalado e funcionando perfeitamente!
Acordar o motor deu um trabalhinho, mas depois lembrei que eu havia
trocado os filtros de diesel do Raccor e do Motor, assim, foi só
sangrar um pouco o motor, e pronto, funcionou perfeitamente. Testei
engate para frente e para trás, e o para a frente continua com a saga
dos cones derrapantes da Yanmar! Supostamente, os saildrives 50 não
deveriam ter esse problema, mas têm! Chamei a Yanmar Malásia varias
vezes, mas não apareceram, então vamos assim mesmo. Eu já sei
desmontar a transmissão, e se ficar muito ruim, eu mesmo dou algum
jeito.
Troquei o som do barco, pois queria ter um som que aceitasse todos os
novos gadgets tipo Ipod, Iphone, USB, DVD, DVR, MPx, JPG, etc. Comprei
um Kenwood ultimo modelo em Singapura, e não paguei mais do que R$150!
Acordei o dessalinizador, testei de todos os jeitos, e tudo
funcionando perfeitamente. Gerei água e depois usei essa mesma água,
pois não tem cloro, para deixar lavando por quase uma hora, visto que
eu havia posto os químicos recomendados para ficar no dessalinizador
quando ele esta parado. Encontrei uns filtros de 5 microns para uso em
água de casa, que cabe quase perfeitamente no filtro do
dessalinizador, e comprei um monte deles por menos de R$3,00 cada!
Mas, por segurança, comprei mais dois originais da Spectra em
Singapura, a US$34,00 cada! Em áreas de água muito suja, vou usar
esses outros filtros, pois depois posso jogar fora. Os filtros
originais, eu uso por um tempo, e depois lavo bem, escovando e
deixando secar ao sol por uns dias, enquanto substituo por outro
recondicionado por mim mesmo.
Instalamos todas as velas, um ato digno de um paparazzo documentar com
fotos que, primeiro iriam mostrar como fica uma vela de ponta cabeça!
E olha que a Lilian estava me chamando a atenção de que algo estava
torto! Na segunda tentativa, enrolei a vela e o cabo do enrolador do
mesmo lado, ou seja, um não segurava o outro! Ainda bem que comecei
pela vela menor, a StaySail, pois se fosse com a genôa, teria sido
muito mais re-trabalho! Aproveitei quando estava instalando a mestra
e finalmente refiz o baten (varal de fibra de vidro que fica dentro da
vela) de cima, pois o original havia quebrado antes de chegarmos a
Galapagos em 2009 e eu havia usado um pedaço de cano de água no lugar
do quebrado. Imaginem, o cano de água de Galapagos ficou na vela por
mais de 10.000 milhas! Tive que lixar e cortar um nas medidas
corretas, e lá vamos nós, de baten novo, e sem cano de água na vela!
O casco estava cheio de água doce, o que significa que tem mais
goteiras para achar e consertar. Tiramos toda a água, lavamos todo o
fundo, limpamos com água e vinagre para evitar o bolor, e o cheiro do
barco melhorou muito.
Mergulhei para ver como estava o casco, leme, quilha, hélice e
principalmente o saildrive, pois minha preocupação era ter o mesmo
problema que o Prieto teve com o Tutatis, onde a eletrolise destruiu o
saildrive dele, e teve que ser trocado, mas encontrei tudo correto,
e melhor, o casco não estava muito encracado, prova que o uso da tinta
Microm 66 da Internacional foi um bom investimento. Eu havia posto um
saco de lixo para proteger o hélice e saildrive, e isso foi também uma
boa decisão, pois foi só tirar o saco e encontrei tudo em perfeitas
condições. Chequei o anodo do saildrive que ainda esta muito bom,
prova de que não tive problemas com eletrolise. Esse problema é comum
quando se atraca próximo a um barco de metal, e principalmente quando
esse esta conectado à energia do cais. Eu tive o cuidado de escolher
um atracadouro que não tinha barco de metal conectado o tempo todo.
E assim, tudo correndo bem, estamos nos preparando para partir na
direção da Tailândia nessa próxima terça-feira. Hoje vamos fazer
compras em um shopping novo, pois precisamos de roupas bonitas para
usar no Natal e Ano Novo, que pretendemos passar com amigos na
Tailândia. Amanha, vamos fazer a documentação do barco, deixando a
emigração para ser feita em Lankawi, uma ilha no caminho e ultimo
lugar da Malásia que vamos aportar. Já começamos a estocar o barco com
mantimentos, e vamos fazer mais amanha. Na terça-feira vamos encher os
tanques de diesel e em seguida partimos, indo dormir ancorados na
entrada do estreito de Malaca. Vamos navegar durante o dia, pois à
noite existem muitos barcos pesqueiros sem sinalização, com suas redes
e bóias, espalhados pela área próxima a costa. Uma alternativa é subir
pela rota dos navios, que vem com o desconforto deles passando
próximos o tempo todo...

quinta-feira, dezembro 01, 2011

O retorno ao Matajusi, Novembro, 2011

Depois de onze meses em terra, com muitas estórias para contar, mas vamos
deixar para escrever com mais calma, quando tivermos bastante tempo
livre, em algumas das pernas mais longas...
Chegamos cansados, mas chegamos bem à Malásia, vindos por Doha,
Singapura, Malásia.
Encontramos o barco MUITO sujo! Tudo verde, coberto de limo! E pensar
que com a mão de obra baratíssima daqui, poderia ter sido bem
diferente, não fosse o gerente da marina ser um urtigão! Pagamos para
a marina cuidar do barco, mas acho que ele entende por cuidar, ver se
ainda esta flutuando...
Isso é fácil e barato de resolver por aqui, pois como disse, a mão de
obra é muito barata. Contratei uns meninos que cuidam de outros barcos
para limpar o deck, casco, e tudo o mais necessário para deixar o
barco bonito de novo, e em alguns dias esse problema vai estar
resolvido.
Aí vem os outros problemas, que vão se multiplicando e acumulando,
até resolvermos tudo na lista e voltarmos á vidinha de morar a bordo.
Estou começando a testar tudo no barco, e o difícil é lembrar como as
coisas funcionavam antes, mas vamos devagar e tentando daqui e dali,
até resolver.
O pior problema são os computadores! Os dois pifaram no mesmo dia!
Estamos trabalhando nisso... Consegui fazer o meu funcionar, mas não
entra na rede sem fio daqui. Falei com um vizinho que me emprestou um
modem por celular, pago por mês, e estou usando ele para postar essa
mensagem.
Uma preocupação é que com as enchentes na Tailândia, tem um surto de
Dengue e de cólera pela costa da Malásia e Tailândia, por onde vamos
passar. Para complicar um pouco mais, com os piratas bem ativos,
muitos barcos retornaram para a Tailândia e Malásia, e as marinas
estão super-lotadas, e as ancoragens também.
Soubemos também que os piratas estão ativos na costa norte de
Madagascar... com isso, talvez tenhamos que ir por Mauricios e
Reunion... e isso quer dizer, enfrentar as ondas gigantes da corrente
de Agulhas...
Bom, sempre tem algo para pensar e considerar, mas vamos tocando como
podemos, tentando usar o bom senso e conhecimento, nosso e dos outros
comandantes que vamos encontrando pelo caminho, para tomar as decisões
mais acertadas, e, enquanto isso, de volta para as eternas manutenções
no barco...