Sábado, Fevereiro 18, 2012

18/02/2012 Aterragem e experiências em Galle

Chegamos a Galle no dia doze, nosso oitavo dia de navegação, mas como chegamos depois das dezoito horas, e de acordo com as informações que tínhamos, não pudemos entrar, então esperamos a noite toda ao largo, em uma ondulação considerável, até o amanhecer, preocupados com a possibilidade dos Tigers (guerrilheiros do norte) mergulharem e grudarem uma carga explosiva no nosso barco! Pela manhã, quando conseguimos falar com Port Control e os Windsor´s, os agentes mais conhecidos e influentes de Galle (que se diz Gol), seguimos para o porto, para fazer as documentações de praxe. Primeiro ancoramos do lado da bóia amarela, de quarentena, até vir a marinha que vistoriou o barco superficialmente, e autorizou a entrada ao porto. Eles nos acompanharam dentro do barco e ajudaram com seleção de local e amarrações. A atracagem é feita com uma ancora de proa, e duas amarras de popa em um píer de plástico flutuante. Minha ancora que nunca garra, garrou quatro vezes seguidas, durante uns squalls, então lancei uma segunda ancora, uma fortress com dez metros de corrente e sessenta de cabo, no meio do porto, segurando bem o barco no píer. Fizemos entrada no pais, um processo relativamente simples, sempre acompanhados do nosso agente, e logo estávamos saindo do porto para visitar um ATM e ter dinheiro para pagar o agente (US$250), e foi ai que conhecemos o Batu, mas depois conto mais sobre o Batu... Nossa visita ao ATM foi nossa primeira entrada em um banco HSBC fora do Brasil, e por incrível que pareça, nada funcionou! Nem cartão de debito, nem de credito! Do HSBC para o HSBC! Tendo os mesmos cartões funcionado e muito bem, em Doha, Singapura, Malásia e Tailândia, não entendemos porque não funcionou em Sri Lanka, mas depois da ajuda muito cordial do gerente da agencia Premier em Galle, e depois de uns quatro telefonemas para o HSBC Brasil, soubemos que o banco desconhecia minhas viagens e portanto não tinha autorização para eu estar usando meus cartões em Sri Lanka. Informamos o banco do nosso trajeto e cinco minutos depois o dinheiro jorrou da maquina ATM. O dinheiro local é o Rupia, e vale 100 rupias para um US$, então a conversão fica fácil. A vida por aqui é bem barata, se ficarmos fora da área turística. Uma refeição local, o Rice and Curry, custa na ordem de oito reais. A comida em geral é apimentada, mas pode-se pedir com menos pimenta. Já passeamos bastante por aqui, de bicicleta e de tuk-tuk, as motos triciclos cobertas tanto usadas na India, que por aqui estão também por todos os lados. O Batu é nosso tuk-tuk driver e tem nos acompanhado em todos os nossos passeios. Um passeio muito bom foi a visita ao Yala National Park, uma área reservada com muitos animais selvagens, nativos em Sri Lanka, como elefantes, o veado manchado, elke, porco selvagem, búfalos, leopardos, entre outros. De todos, só não conseguimos ver um leopardo. No caminho passamos pelo mais bonito templo budista que já vimos, chamado Wewurukannala. Depois as fotos vão explicar melhor. Estamos em uma situação delicada, pois para seguir adiante, e sem passar pela zona de piratas, precisamos ir para Maldivas, depois Chagos e depois Madagascar ou Mauritius (esta parecendo mais Mauritius por causa dos piratas!), mas só hoje consegui finalizar com uma agente das Maldivas, e ainda não conseguimos permissão para ir para Chagos! O pessoal do BIOT (algo relacionado a territórios britânicos) esta me procrastinando e muito! Agora eles querem até minha declaração de imposto de renda para provar o quanto eu tenho e se poderia pagar para remover o barco de Chagos em caso de afundamento! Precisamos implementar reciprocidade na nossa política de tratamento de barcos estrangeiros, tipo, barco da Nova Zelandia chegando no Brasil, tem que entregar toda a comida a bordo, barco inglês, tem que pagar 50 libras esterlinas por semana que passar no Brasil, exatamente o que estão me cobrando para passar por Chagos! Enfim, só posso passar a latitude dez sul, a partir de 1 Maio, por conta da estação dos ciclones no Indico Sul, só posso ficar trinta dias em Sri Lanka, e depois mais trinta nas Maldivas, pois se passar dos trinta, o valor cobrado aumenta consideravelmente, e se não puder ficar trinta dias em Chagos, eu estaria adiantado na rota e sem lugar para esperar. O custo de passar um mês nas Maldivas é de US$1000, o maior que já pagamos em qualquer lugar que já estivemos. Então, só vamos sair de Sri Lanka quando pudermos, para que a nossa rota não coincida com a estação dos ciclones.

Sábado, Fevereiro 11, 2012

11/02/2012 Oitavo dia de travessia

Cento e cinqüenta milhas para chegar a Galle, com chegada estimada para cedo do dia treze, e manerando na velocidade para não chegar no Domingo, e algumas boas estórias para contar...
Ontem a noite, fui acordado pelo alarme do AIS avisando de rota de colisão com um navio tanker. Vi pelo AIS o nome e outros dados do navio e chamei pelo radio. Não respondendo o radio, peguei o farolete caça avião e mandei na torre de comando. O piloto do navio disse pelo radio "barco pesqueiro, não vi nenhuma rede, estou seguindo com minha rota!". Vamos lá, piloto de navio que se presta, olha no AIS e verifica o tipo de embarcação que tem pela frente! Ele não olhou, me confundiu com um pesqueiro, mesmo seu sistema dizendo que eu era um veleiro, e veio para cima. Mesmo que fosse um pescador?! Grande e poderoso! Peguei no radio e disse que era um veleiro, navegando a vela, sem capacidade de muita mobilidade. Sem resposta, mas percebi que ele estava mudando a sua rota para me dar mais espaço, pena que foi muito tarde, e ele nos deu uma marola daquelas de entrar água pela popa do barco.
Pensei bem no que queria dizer, peguei o radio e disse no canal dezesseis (prioridade/chamada). "Aqui fala o capitão do veleiro que foi confundido por um pesqueiro pelo capitão do Manah. Disse o MMSI, o Call Sign, o IMO, o destino, o ETA, o tamanho, e disse que agradecia o capitão que não sabia ler seus instrumentos, que me confundiu com um pesqueiro, que não foi camarada e quase causou um desastre, e que eu estava falando com os pés molhados da água salgada que ele havia jogado dentro do meu veleiro!"... Percebi que ele desacelerou e mudou sua rota! Pensei. Será que ele vai vir me caçar?! Apaguei o barco, e fiquei no escuro, mudando de rota. Ele ficou por ali um tempo, mas depois seguiu viagem...
A segunda estória foi hoje pela manha, quando eu estava dentro da cabine estudando a aterragem para Galle e ouvi uma voz do lado de fora! Corri para a porta da cabine, e do nosso lado, estava um pesqueiro com uns seis pescadores a bordo. Como foi que ele chegou ali sem perceber,mos?! Primeiro pensamento que vem é de pirata, mas, já mais experiente do que quando sai do Brasil, comecei um dialogo por gestos com eles, enquanto em português dava instruções para a Lilian. Na proa do pesqueiro tinha um pescador com um belo atum na mão! Fez sinal de bebida primeiro, disse que não bebia, depois fez sinal de cigarro, disse que não fumava, aí fez sinal de comida, e pedi para a Lilian ir procurar algo. Ele pedia para eu desacelerar, mas estávamos na vela e eu não queria seis pescadores pulando no meu barco, então mantive as velas e pedi para a Lilian ficar pronta para ligar o motor. Fiz um sinal de troca com eles, o peixe deles por algo meu. Eles deram sinal que sim e começaram a chegar mais perto. Pedi para eles manterem distancia, enquanto a Lilian pegou uma garrafa de rum pela metade, que eu havia ganho do Peter Brown, um Canadense que conhecemos em Johor pois eu havia mergulhado na água da marina e queria algo para limpar a garganta e o estomago. Os pescadores deliraram quando viram uma garrafa! Fiz sinal para o pescador com o atum atirar o atum dentro do Matajusi e ele assim o fez. Depois atirei a garrafa de rum, que ele pegou no ar. E assim fizemos nossa troca, a contento dos dois, indo logo limpar o atum e preparar o sashimi, que estava ótimo!
Mais a tarde o vento pegou, o mar subiu, e a noite esta prometendo ser desconfortável...

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Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012

09/02/2012 Sexto dia de travessia

09/02/2012 Sexto dia de travessia
Seiscentas e sessenta milhas navegadas, faltando quinhentas milhas pela proa, navegando em um mar de navios, driblando CPAs muito pequenas todas as noites (navios que se aproximam demais), usando genaker durante o dia e asa de pombo mais o stay sail bem caçado na proa para melhorar estabilidade com o vento, com todas as velas bem amarradas em três pontos para evitar desgaste e diminuir ruído e impacto no mastro. Tivemos que diminuir velocidade para não chegar no final de semana. Mar agitando com previsão para piorar nos próximos dois dias. Ou seja, travessia usual. Com boa comida a bordo, mood já esta mais para SAE 90 (:-

Terça-feira, Fevereiro 07, 2012

07/02/2012 Quarto dia de travessia

Ontem pegamos uma boa chuva, e aproveitamos para lavar o barco, cabos e velas, pois o vento ficou abaixo dos quinze nós durante a chuva. Subimos a genaker, para lavar bem, pois da ultima vez que a usamos , deixamos ela cair um pouco na água pois a vela subiu rápido e perdi o cabo da camisinha (cobre a vela, protegendo do vento). Para recuperar e poder fechar a vela, tive que soltar uma escôta e tivemos um trabalho enorme para trazer a vela de volta para o barco. Mas a alegria de lavar a vela durou pouco, pois hoje, quando subimos a vela de novo, a Lilian prendeu a adriça em um mordedor pequeno e não na catraca, e o mordedor soltou, deixando a vela toda cair na água. Ouvi o barulho, senti o tranco, e quando olhei para cima, a genaker voava para fora do barco. Imediatamente desengatei, pois estávamos ajudando no motor, desliguei motor e engatei a ré para o hélice não girar sozinho, e começamos a puxar a vela de volta, mais fácil dito do que feito! Depois de trazer a vela para dentro, mais fácil dito do que feito, pois a Lilian quase foi para a água, como a adriça continuava no mastro, cacei novamente a adriça, içando de novo a vela, mas o cabo da camisinha ficou do lado de fora, e quando a vela abriu, ficou enganchada no cabo da camisinha, e foi outro duro trabalho acertar isso! Tive que soltar uma escôta (parece que estou ficando mestre nisso!), pegar o cabo da camisinha com o gancho, e encamisar a vela com um lado panejando... Muito tempo e muito esforço depois, consegui trazer a vela de volta. Mas agora precisava secá-la, então toca subir ela de novo...
Depois de seca, desci a genaker de novo para lavar e acertar a vela, camisinha e cabo da camisinha, pois ficou tudo torcido varias vezes. Aproveitei e lavei com a mangueirinha de água doce. Bom ter dessalinizador a bordo! E bom ter Advil também, pois fiquei com o corpo todo doendo dos esforços.
A noite, escutei dois navios discutindo no radio, para ver quem passava na frente do outro, e logo percebi, que nessa briga de gigantes, nós estávamos sobrando no meio, pois nenhum dos dois navios percebeu, ou se importou, com a nossa pequena presença. Um dos navios, um tanker chamado USAC Madigan, passou a menos de 0.2 milhas da gente, a vinte e seis nós, deixando o ar inteiro cheirando motor esmerilhado, e uma marola gigante que atingiu a gente em cheio, dando um tranco formidável no estaiamento! Enquanto isso, o outro vinha direto na nossa direção, com TCPA (tempo de aproximação máxima) de quatro minutos. Gritei no radio que estávamos ali, mas como os dois navios mais o Matajusi estavam muito perto, ficava mesmo difícil reconhecer qualquer um deles pelo AIS. O capitão do Maritime (segundo navio) perguntou onde estávamos, aí eu liguei meu farolete de caçar avião (!) e botei bem na cabine de comando do Maritime. Logo ele disse no radio que tinha nos visto (também!) e que estava desviando imediatamente.
Só ai deu tempo de agradecer ao capitão irresponsável do USAC Madigan, pela marola que quase pois o Matajusi a fundo! Ele, lógico., disse que passou a quase uma milha da gente! Além de irresponsável, mentiroso! Se alguém achar o email desse navio, mandem para ele nossos agradecimentos, e notícias para a senhora genitora do capitão...
Não preciso dizer que o estresse a bordo esta mais parecendo óleo de transmissão SAE 140!!!
Por outro lado, a janta que a Lilian preparou, ficou melhor do que ceia de Natal! Cocha e sobre cocha de peru, com direito a geléia de cranberry, purê de batata e cenouras! Mnham, mnham!

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Domingo, Fevereiro 05, 2012

Segundo Dia Travessia Tailandia 2 Sri-Lanka

Saimos ontem as 14:00hs de Butang, uma ilha ao sul da Tailandia, depois de passar uns dias por lá, mergulhando, checando o barco e finalizando preparativos para a travessia.
Travessia de 1130 milhas, estimando oito dias para chegada a Galle em Sri-Lanka.
Ontem pouco vento, ajudamos no motor ate a noite, quando um vento de popa de 15 nós entrou.
Velejei durante a noite com mestra risada no primeiro riso, e genoa montada no pau, em asa de pombo.
Pela manha subi a genaker e mantive mestra risada no terceiro riso. Vento manteve os 15 nós, mas caiu para cinco nós a pouco.
Desci a Genaker, montei a genoa com o pau, sem mestra, e estou ajudando no motor.
Tudo bem a bordo.

Sábado, Janeiro 21, 2012

Explorando outras ilhas da Tailandia

Assim que recebi o email do mecânico Yanmar dizendo que minha transmissão estava pronta, aluguei uma moto e corri para pegar a peça. Tinha mandado fazer um piso novo para o banheiro de Boreste, pois o original, feito em teca, estava completamente podre, então mandei fazer um em madeira sintética, tipo um plástico branco, como experiência, e acabou ficando muito bom. A transmissão ficou perfeita, e assim que voltei, instalei e testei, tudo funcionando como devia. Em retrospecto, o problema da transmissão original foi causado pela montagem errada do cabo pelo estaleiro, acumulado com a má revisão de entrega feita pelo representante da Yanmar em Joinvile, o que causou o gasto excessivo do cone original. Troquei o cone em Fiji, mas o representante Yanmar de Port Denarau não montou a transmissão corretamente, deixando uma folga maior do que dois milímetros na peça toda, e não fazendo o polimento entre o novo cone e as engrenagens. Isso causou o segundo problema. Agora parece que esse problema foi resolvido.

Aproveitei e re-ancorei o barco, agora usando meu próprio motor. No final, acabei re-ancorando o barco quatorze vezes, por conta das áreas rasas e de outros barcos que ancoraram muito próximos. No dia dezessete nos despedimos do pessoal do Too Much, Cat Mousses e Alexandre VI, e no dia dezoito pela manha partimos de Pucket depois de re-abastecer de diesel, indo para Ko Phi Phi, onde ancoramos dentro da baia, que, se fosse pelo Murphy, ia ser nossa ultima ancoragem, pois a baia inteira é de recifes, o que não consta nas cartas, e são difíceis de se ver. Acabamos sendo alertados pelo alarme do profundimetro que sempre deixo ligado a quatro metros de profundidade, o que nos deu tempo de reverter o hélice e parar o barco antes de tocar nos recifes. Essa ancoragem já não começou bem, e ficou pior durante a noite, primeiro, com dois pescadores que decidiram vir pescar a alguns metros no nosso barco. Eles ancoraram com duas ancoras, uma a frente e outra para trás, e logo o Matajusi estava em cima do cabo de ancora de popa deles. Decidi fazer uma manobra com a ancora da frente, soltando os setenta e cinco metros de corrente, e esticando com o motor para trás, ai joguei a ancora de reserva (Fortress) com quinze metros de corrente e sessenta de cabo e puxei a ancora da frente novamente, deixando quarenta de corrente na proa, e vinte e cinco entre corrente e cabo na ancora de popa. Com isso, alinhamos com a ondulação, e não saímos mais dessa posição, mesmo com o dilúvio de quatro horas que caiu durante a noite.

O pior ainda estava por vir, e só percebemos quando as enumeras casas noturnas da praia aumentaram seus volumes de áudio, tornando a baia inteira, um inferno auditivo! Para nós que já estávamos cansados do excesso de turismo da Tailândia, essa foi a gota d'água! Saímos pela manha, quando conseguimos acordar da noite mal dormida e seguimos para as ilhas de Rok Nai e Rok Nok, a umas vinte e cinco milhas ao sul de Ko Phi Phi, onde chegamos no final da tarde, com luz suficiente para uma boa ancoragem. Acabamos ancorando entre as duas ilhas, com doze metros de profundidade, usando quarenta metros de corrente e fomos preparar a janta. Após o jantar, eu sai para o cockpit onde ia tocar um pouco de flauta, e coincidentemente, fiquei observando um catamaram com umas oito pessoas jantando no cockpit. Exatamente nesse momento, escutei de lá um grito, algo dito em italiano, e vi o amarelo de uma labareda, dentro da cabine de bombordo. Por um motivo ou outro, ninguém conseguiu, ou tentou, apagar o fogo, e o barco queimou completamente, bem na nossa frente! Eu pedi para a Lilian ir filmando e tirando fotos, enquanto peguei o botinho e fui ajudar as pessoas que pularam na água. Acabei encontrando o capitão do barco, que dizia que os extintores não funcionavam! Em menos de uma hora, tudo se queimou, o resto do barco afundou, e o diesel ficou queimando na superfície da água. O capitão me disse que tinha três botijões de gás a bordo, então decidi tirar o Matajusi dali, levantando ancora e indo para mais longe. Depois de uma hora, estávamos ancorando novamente, completamente pasmos pelo que havíamos visto. Dessa vez, e para aquele grupo, o Murphy levou a melhor...

O dia seguinte, ficamos meio que de molho, com ressaca das duas noites anteriores, mas depois que a energia voltou, fomos explorar as ilhas e acabamos descobrindo que esse lugar é na verdade um belo paraíso, contrastando com os outros lugares que passamos na Tailândia. Em primeiro lugar, porque tem muito menos turistas. Em segundo, porque tem um restaurante na praia que serve comida tailandesa a quatro reais o prato. Além disso, é uma ancoragem calma, com águas claras e muita vida animal, tanto em baixo como em cima d'água. Encontramos lagartos enormes, lembrando os dragões de cômodo, esquilos vermelhos e pássaros nas praias, e muito peixe, conchas, lulas e lagostas (pequenas) em baixo d'água. O grande evento de hoje foi por uma concha aberta na mão da Lilian, e ver centenas de peixes vir comer na mão dela!

Decidimos ficar por aqui por mais uns dias, aproveitando esse paraíso, e já descobrimos outro paraíso ainda melhor para ir visitar, no nosso caminho de volta para a Malásia. Como amanha é o ano novo chinês vamos ficar pelas ilhas mais desertas aproveitando para curtir as coisas que gostamos de fazer, antes de retornar a Langkawi na Malásia. Estamos matando tempo antes de partir para Sri Lanka, para respeitar as épocas próprias para essas travessias.

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Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

Fotos Tailandia postadas...

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Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

20120112 Explorando Pucket

Passamos os últimos doze dias explorando a costa Oeste de Pucket. Ancoramos em quase todas as ancoragens, visitamos quase todas as cidades costeiras dessa região, então já temos uma boa visão de pelo menos essa área da Tailândia, podendo resumir assim: Povo muito simpático, comida muito saborosa e barata, lugares bonitos, mas com isso, muitos turistas, principalmente russos e escandinavos, e, infelizmente, muitas prostitutas a ponto de logo nos cansarmos dessa característica do local. Mas, fora isso, um lugar muito acomodante. As ancoragens protegidas dos ventos Nordeste e Leste são as melhores nessa época de Monsoon de Nordeste, mas ficam abertas ao mar aberto e recebem ondulação normal de mar aberto, o que provoca um pouco de balançar principalmente nos topos e baixas de maré.
Até ontem, seguíamos juntos com o Cat Mousses, mas hoje eles puseram o barco no seco para pintar o fundo, devendo ficar em seco entre um mês, então vamos continuar com nossa exploração da Tailândia com outros amigos, e já encontramos vários amigos que conhecemos no Pacifico e na Nova Zelandia. Do nosso lado está ancorado o Too Much, com a Marcia (brasileira) e o Jean (francês) , e até ontem estava o Canela, com o Gustavo e Augusto de Canela, RS, mas eles levantaram ancora partindo para Langkawi na Malasia. A ultima vez que havíamos estado com os Canela tinha sido em Fiji em 2010, então foi um prazer encontrá-los de novo, além de um alívio!
Explico. Quando ancoramos na baia de Chalong do lado Leste de Pucket ancorei bem, com vinte e cinco metros de corrente em quatro metros e meio de profundidade, e com o motor e transmissão quentes, aproveitei para tirar o óleo da transmissão, e retirar a transmissão inteira para checar o problema do cone derrapante que tem me perseguido. Mas com isso, fiquei sem a possibilidade de manobrar o barco em caso de algum problema com a ancora, e, por Murphy, foi exatamente o que aconteceu! Assim que retirei e lavei a transmissão e o sistema de engate, a Lilian me chamou a atenção de que o Matajusi estava em posição diferente dos outros barcos à nossa volta! Qual seria o problema? A ancora estava garrando? O barco estava travado no fundo? Sem saber a resposta, chamei o Canela pelo VHF 16 e eles responderam. Expliquei a situação e eles prontamente vieram ajudar. Depois de tentarmos arrastar o barco com o botinho deles, que tem motor de quinze HP, chegamos à conclusão de que estava tudo bem, e assim ficou, até hoje à tarde, quando um pouco antes de uma chuva e vento forte passarem, veio um dos meus vizinhos de ancoragem perguntar se meu barco não estava garrando. Eu disse que estava pensando a mesma coisa e se ele não podia me ajudar a mudar o barco de lugar, pois eu estava sem motorização. Ele me ajudou, mas sem olhar nos instrumentos, acabei ancorando próximo a uma área mais rasa. Depois, com calma, fui estudar a situação, e percebi que pelo menos na carta, eu ficaria a vinte metros da área rasa, mesmo se o vento mudasse.
Mas, com Murphy ainda por perto, durante a tarde, chegou um vento e chuva fortes, e o barco ficou travado no lugar que ancorei a tarde. Também, usei quarenta e cinco metros de corrente com cinco metros de fundo! Mas, durante o temporal, o Too Much acabou garrando. Enquanto eu estava no cockpit checando se tudo estava bem com o Matajusi, ouvi pelo radio uma gritaria de barco correndo solto pela ancoragem, e não é que era o barco dos nossos amigos Jean e Marcia?! Eu sabia que o Jean estava em terra, então pulei no botinho para ir ver o que eu podia fazer. Nisso vi a Marcia a bordo e fiquei mais sossegado, pois pelo menos ela conhecia o barco. Chegando a bordo, ajudei a Marcia a re-ancorar o barco, que, com a chuva forte e sem visibilidade, teve que ser feito duas vezes, pois na primeira acabamos ancorando no meio do canal de entrada do porto de Al Chalong, o que deixou o barco exposto aos muitos barcos retornando dos passeios turísticos.
Com o Too Much bem ancorado, retornei ao Matajusi para continuar a escrever esse relato, mas, Murphy ainda insistia em mostrar sua lei! Enquanto eu escrevia, a Lilian mexia com seu computador. Aí sentimos um baque no barco. Nada forte, mas algo diferente dos barulhos e movimentos a que estamos tão acostumados. Liguei instrumentos para checar nossa profundidade, e confirmei que tínhamos apenas dez centímetros de água abaixo da quilha. O mar estava calmo, mas mesmo assim dava umas encostadas no fundo. Enquanto as raspadas eram na quilha, sem problemas, mas, em uma das raspadas, percebi que o leme se mexeu! Ai gelei! Não existe outro leme desse barco, e seria um tremendo trabalho refazer um leme para ele. Tinha que tirar o barco dali! Peguei o botinho e corri para o Too Much, que me devia um favor pela ajuda nas re-ancoragens da tarde, então expliquei o problema o Jean, e ele veio de botinho também para o Matajusi. Com os dois botes juntos, empurramos o Matajusi de lado, o que inclinava um pouco o barco e permitia que ele deslizasse pelo fundo. Deixei o leme tudo virado, para não bater em nada de lado, e sim deslizasse pelo fundo também, mas ele não chegou a encostar no fundo. Viramos o barco ao contrário, com os dois botes, cada um amarrado de um lado do Matajusi, rebocamos o Matajusi para fora dessa área mais rasa. Quando a corrente esticou, lancei outra ancora pela popa (trás) com sessenta metros de cabo, para segurar o barco naquela posição, pois não podíamos recolher a ancora da frente, que estava em área sem profundidade para a proa (frente) chegar. Deixamos o barco assim toda a noite, com a proa de cara para o vento, mas evitando que o barco virasse e corresse com a corrente da maré. O barco ficou bem até de manhã, na outra maré baixa, e de novo, ficou com menos de trinta centímetros do fundo.
Hoje pela manhã, soltei mais vinte metros de corrente, indo para sessenta metros, e recolhi 20 metros do cabo da ancora de trás, para levar o barco mais para trás e mais distante da área rasa, e continuar a manter o barco alinhado com o vento predominante de Nordeste/Leste. Vamos aguardar a maré alta para tirar o barco daqui e re-ancorar mais no fundo. Essa foi a única vez em toda a viagem que passamos por uma situação como essa. Revisando, como já havia ancorado aqui antes, não olhei minuciosamente a carta e acabei muito próximo dessa zona rasa, que acumulada com a maré mais baixa do ano, acabou contribuindo para mais uma quase vitória do Murphy!
Mas, a vida a bordo não é só feita de sustos e problemas, tendo outras atividades que preenchem o nosso tempo e enriquecem a nossa aventura, como alguns mergulhos na ilha em frente à praia de Kata, tendo a oportunidade de ver a maior lula que já vi, maior do que um polvo grande, e de uma cor azul metálica (sépia?). Passeamos de bicicleta por várias das cidades da costa Oeste de Pucket, visitamos MUITOS shopping-centers, a atividade mais freqüente desse ano, alugamos uma moto e demos a volta em Pucket, além de termos ido visitar o grande Buda no alto da montanha no meio da ilha, onde fui abençoado por um monge budista que me pôs um bracelete no pulso e me benzeu com água santa. Andamos de elefante pelas montanhas, comigo como Mahud (homem guia do elefante) por grande parte do trajeto, o que gerou algumas reclamações da Pink, a elefanta que eu montava, espirrando saliva nos meus pés, que claramente não eram iguais aos do seu Mahud, que enquanto caminhava a pé tirando fotos das situações criadas pela minha inabilidade em tocar o elefante corretamente. Comemos em muitos restaurantes locais, experimentando os diferentes sabores da culinária Tailandesa, lavamos roupa, caminhamos bastante, comprando artesanatos locais para juntar com a nossa coleção de artesanatos de quase todos os lugares por onde passamos, enfim, uma vida sadia, rica, e cheia de emoções...
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Terça-feira, Janeiro 03, 2012

Pinang a Phuket

Acabamos ficando uns dias a mais em Pinang por conta das duas bicicletas (Dahon Eco 7) que compramos, daquelas de alumínio, dobráveis, especiais para barcos, pois usam pouco espaço depois de dobradas, aproveitando para ir conhecer muito mais da cidade de Georgetown, e da ilha de Pinang. Fizemos uma ceia de Natal em uma discoteca pegado à marina, a QE2, eu escolhendo carneiro, e a Lilian experimentando o peru. Andamos muito de bicicleta, todos os dias, parando em shopping centers, dobrando as bicicletas, e entrando com elas shopping adentro, uma atração para os residentes, que nunca viram alguém andando pelo shopping com bicicletas dobráveis. A cidade de Georgetown fica na ilha de Pinang, e tem algumas características interessantes, uma delas sendo a área de Little India, uns quarteirões inteiros onde só se tem coisas indianas, tipo roupas, artefatos, comidas, musica, gente, tudo indiano.
Tem também uma área similar chinesa, onde tudo é chinês. O trafego é intenso, e perigoso para os pedestres e bicicletas.
No dia vinte e cinco, aproveitando a maré e o vento a favor, partimos para Langkawi, uma ilha dutty-free, a última da costa da Malásia, distante sessenta milhas de Pinang. Saímos depois do meio-dia, ajudando com o motor até o meio da tarde, quando entrou um vento entre vinte e vinte e cinco nós, que nos levou rapidinho para a área de Langkawi.
Chegamos às vinte e uma horas e trinta minutos no Sudoeste de Langkawi, e fomos entrando baia adentro, procurando uma área coberta para se esconder do vento Noroeste que continuava acima dos vinte nós. Como a carta e o radar não batiam, corrigi a carta pelo radar (chart-offset - Velejar Dezembro/2011), mas achei estranho que a carta continuasse tão fora de lugar, tanto, que nem com o offset eu conseguia ajeitar a carta. Fui muito devagar, entre radar, carta e olhos nus, procurando um lugar para ancorar, pegado a uma montanha relativamente alta, e ancorei em cinco metros, com cinquenta metros de corrente para garantir uma ancoragem segura durante a noite. Pelo radar conferi uma distancia de no mínimo trezentos metros entre o barco e qualquer outro obstáculo identificado pelo radar, liguei o pequeno GPS com alarme de ancora garrando (desgarrando) a mais de cento e vinte pés, e fomos dormir. Acabamos dormindo mal por conta das rajadas que sacudiam muito o barco, fazendo a corrente bater forte na proa (frente), o que causa um barulho enorme dentro da cabine de proa, onde dormimos.
Pela manha, levantamos ancora e fomos velejando a contra-vento, que continuava entre vinte e vinte e cinco nós, somente com a staysail aberta, até o Royal Yate Clube de Langkawi, onde atracamos em um dos piers disponíveis.
Assim que o barco estava bem atracado, fomos fazer a documentação de entrada em Langkawi e já aproveitamos e fizemos a de saída da Malásia, com destino à Tailândia. Compramos bebidas, que por conta do dutty-free são vinte e cinco por cento do preço normal em outros lugares, e voltamos para pegar as bicicletas e ir pedalar para conhecer a ilha. Pedalamos até a noite, parando em algumas áreas que também eram dutty-free, somente para ver que mesmo com desconto, havíamos pago bem mais caro na área da balsa onde fomos primeiro, do que nas áreas mais para dentro da ilha. Eu tenho a tendência de comprar a primeira que acho, mas sempre compro. Já a Lilian, procura muito, e às vezes fica sem comprar, pois não acha a mesma coisa nos próximos lugares nos quais foi procurar.
A ilha de Langkawi tem ótimas ancoragens, e está repleta de veleiros, que procuram essa área por conta do preço barato de tudo que se precisa. O povo vem das origens mais diferentes, e a maioria são turistas.
Acabamos ficando somente três dias em Langkawi, um lugar que merecia mais tempo de exploração, mas, queríamos passar o ano-novo com nossos amigos do Cat-Mousses que já estavam na Tailândia, então, no dia vinte e oito, partimos para Phuket na Tailândia. Velejamos a noite toda driblando os muitos barcos pesqueiros da região, e pela manha estávamos chegando em Ko Phi Phi, umas ilhas onde o Leonardo de Caprio fêz o filme "A Praia", mas acabamos parando dentro de Ko Phraya Nak, uma área com montanhas a pino, relativamente altas, mas com um passe pelo Oeste que da entrada para dentro da ilha. Lugar lindo, mas muito procurado pelos barcos que levam turistas a conhecer lugares como esse, pois foi o tempo de jogar ancoras e dar uma mergulhada, que teve que ser interrompida bem rapidamente por conta das minúsculas água-vivas que infestavam o lugar. Com algumas queimaduras que tiveram que ser tratadas com vinagre, fui tentar uma soneca, interrompida por uma horda de barcos chegando e fazendo a baia inteira ondular, sacudindo o barco em todos os sentidos.
Levantamos ancora e partimos para Chalong Bay em Phuket, um dos portos de entrada da Tailândia e onde iríamos encontrar nossos amigos do Cat-Mousses. Chegamos em quatro horas, ajudados pelo motor e velejando somente com a genoa, ancorando em cinco metros com trinta metros de corrente, e fomos rapidinho para o prédio onde operam simultaneamente a emigração, capitania dos portos e aduana, mas eles haviam acabado de fechar (quinze horas). Voltamos às nove horas do dia seguinte, já dia trinta, e fizemos a documentação de entrada na Tailândia, com uma autorização de ficar trinta dias. Talvez tenhamos que voltar para a Malásia antes de partir para Chagos, pois só podemos ir para Chagos em Março, então temos Janeiro e Fevereiro para ficar por aqui. Não me incomoda voltar para Langkawi, mesmo porque, talvez eu precise comprar uma transmissão nova para o motor Yanmar, pois o problema dos cones derrapantes esta cada vez pior.
No final do dia encontramos com o Cat Mousses e fomos juntos para terra, para fazer provisionamento dos barcos. Combinamos a comemoração para a passagem do ano, eu fazendo molho de macarrão com dois pacotes de rabada que comprei no supermercado local, a Lilian fazendo uma maionese de batatas, cenouras, maça e passas, a Dani do Cat-Mousses fazendo três pacotes de espaguete, e a Magali do catamaran Pirata, fazendo aperitivos para antes da ceia. Fomos, os três barcos, para a praia de Patong, para ver as comemorações por lá, que começaram as dezoito da tarde com balões de ar quente enchendo o céu, mais fogos de artifícios dos mais variados, e continuaram até as três da manha! Tudo correu muito bem e tivemos uma ceia maravilhosa, com ótima comida e bebidas, ótimos amigos, e apreciando um espetáculo ao mesmo tempo que diferente dos habituais, maravilhoso por conta dos balões e fogos, que não paravam e isso, acompanhados por muitos outros barcos também ancorados em Patong . Toda essa costa de Phuket, foram as áreas mais atingidas pelo Tsunami de 2004, e muita gente morreu por aqui. Não consegui parar de pensar sobre isso... Por conta disso, ancoramos bem fora, com doze metros de profundidade e cinqüenta de corrente.
Muito diferente o povo da Tailândia do povo da Malásia, mas muito simpáticos e prestativos, quando se consegue falar. O inglês é mais escasso por aqui.

Sábado, Dezembro 31, 2011

Feliz Ano Novo

Aos filhos, parentes e amigos, desejamos um Feliz Ano Novo.
Estamos ancorados na praia de Patong, na Tailandia, junto com outros muitos barcos.
Impressionante a comemoração por aqui, que começou as seis da tarde, com balões de ar quente enchendo o ceu, e fogos de artificio, e agora, mais de tres da manha, e os balões e fogos continuam!
Abraço a todos,
Silvio e Lilian, Matajusi

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